“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, cantava o mestre Raul, e está aí uma das filosofias mais geniais, em minha opinião, e à qual resolvi aderir. Raul certamente viveu intensamente essa ideia, sendo um dos principais artistas da contracultura, mas certamente você pode encontrar descrições melhores do cara, biografias, etc. Por isso não vou me ater a isso nesse post.
Por que se limitar a uma única ideia durante toda sua vida?
Por que ser dogmático?
Por que se limitar a ser uma única pessoa, ter uma só personalidade, uma só visão, uma só crença?
Quando você cresce, abre sua mente para novos horizontes, ideias fixas são muito limitadoras e até mesmo tediosas. Qualquer um pode ser ateu hoje, agnóstico amanhã, ocultista depois, kardecista um dia, umbandista no outro, cristão no natal, naturalista no ano novo e, assim, seguir uma crença a diferente a cada dia da semana, por exemplo.
Mudar suas opiniões, seus hábitos, sua visão de mundo, é completamente normal, e até engrandecedor. Não há nada pior do que aceitar verdades absolutas, criar dogmas, disciplinar-se sob regras limitadoras e opressivas. É por isso que Raul Seixas foi rejeitado pelas Ordens de Thelema, por não se limitar a seguir “ordens”, ele ia muito além, sendo visto como rebelde e indisciplinado. Com a Sociedade Alternativa, idealizada por este e Paulo Coelho, pretendia por em prática a lei de Thelema: "Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei", escrita por Aleister Crowley, um dos mais brilhantes ocultistas do século XX, lei essa que nem mesmo em tais ordens eram cumpridas, tendo em vista todas as regras impostas a seus adeptos. As ideias de Raul eram anarquistas!!! Ele estava em plena ditadura, o que lhe garantiu, junto a Paulo Coelho, o exilio nos EUA. Sua intenção era viver sem regras, fazer o que se tinha vontade, vide o texto presente em manifesto/gibi A Fundação Krig-Há:
1 - O espaço é livre. Todos têm direito de ocupar seu espaço.
2 - O tempo é livre. Todos têm que viver em seu tempo, e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.
3 - A colheita é livre. Todos têm direito de colher e se alimentar do trigo da criação.
4 - A semente é livre. Todos têm o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.
5 - Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.
6 - "Todos nós" somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e caretas, sábios e loucos.
7 - E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.
Saudação final do 11º manifesto:
Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.
Escrito por: Raul Seixas, Paulo Coelho, Sylvio Passos, Christina Oiticica, Toninho Buda e Ed Cavalcanti.
Quando alguém me dizia – Mas você disse o contrario ontem! – Eu não sabia o que responder, mas agora minha resposta será algo do tipo – Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu, do meu lado, aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real. –
“Eu vou desdizer Aquilo tudo que eu lhe disse antes Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo”
Sinto-me num estado de constante lembrança, nunca no presente, sempre no passado. É estranho como todo momento se assemelha à memória, como se minha consciência estivesse à frente do meu tempo por uma fração de segundo, um tempo ridiculamente pequeno, porém capaz de tornar tudo monótono e previsível. Nunca conheci ninguém com essa capacidade, que já me livrou de alguns supostos imprevistos, mas que traz uma sensação constante de apatia e desinteresse pelas pessoas, uma vez que elas parecem lembranças.
Eu estou sonhando? Prove-me que o mundo em que você vive não é criado pela sua mente (acho mais fácil que consiga provar o contrario).
Quem sabe eu não tenho um pé no Mundo das Idéias de Platão?
A meu ver, é só um estado alterado de consciência, ocasionado, talvez, pelo estímulo de algum setor desconhecido do meu cérebro, que me permite acessar facilmente o consciente coletivo universal, sei lá, to viajando... Só estou escrevendo sobre isso porque é algo que vem se intensificando muito nos últimos tempos, a ponto de me deixar confuso a cerca do que é real e o que vem desse “sexto sentido”.
Outra possibilidade é o desenvolvimento do meu chakra frontal, ou Ajna (“Centro de comando”), conhecido como terceiro olho. É responsável pela intuição, clarividência, entre outras coisas que não vale a pena explicar agora.
Não espero que entenda, muito menos acredite, só não queira que eu preveja o futuro, pois sou completamente incapaz (antes que alguém diga que eu disse que posso).