segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Privatização

Quem realiza suas funções com maior eficácia, o funcionário público, empregado há 25 anos, acomodado e tranqüilo por ter a certeza de que só sairá da sua função ao se aposentar, ou o recém formado, jovem, bem informado, atualizado e interessado em provar sua capacidade, a fim de aumentar o valor de seu trabalho e ser promovido?

Quem trabalha mais satisfeito, o médico bem equipado, com um bom escritório e um bom salário, que aumenta a cada paciente atendido, ou o médico mal equipado e mal pago?

O ser humano que não corre risco de ser demitido e não sofre pressão de algum tipo, por parte de seus superiores, tende a acomodar-se. É fácil perceber, ao observar escolas e universidades, hospitais, bancos e vários outros órgãos públicos, como os profissionais empregados em tais unidades, mesmo que muito bem qualificados, exercem suas funções de forma desleixada. Tendo seus empregos seguros, uma parcela considerável destes profissionais não recebe estímulos suficientes para se empenhar e dar o seu melhor, porque, mesmo no caso dos que recebem salários altos, eles estarão empregados até que se aposentem ou, na pior das hipóteses, morram, portanto, não precisam se preocupar em defender seus cargos ou gerar resultados.

Diferentes destes, os funcionários de grandes empresas multinacionais disputam suas vagas ao tentarem ser admitidos e, ao serem, precisam geral lucro e/ou mostrar rendimento de alguma forma, além de, em alguns casos, seguirem normas de etiqueta e ter boa aparência. Tudo isso e outros fatores acarretam no melhor funcionamento de uma instituição, pois, os profissionais podem ser substituídos e são estimulados a não quererem isso. Além do mais, parece desnecessário comentar que as condições de trabalho são muito superiores às dos órgãos públicos, na maioria dos casos.

Deu pra sacar que eu sou a favor da privatização de algumas empresas estatais?


A aula de química estava tão interessante, hoje(e sempre), que eu escrevi isso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O prazer e a conquista viciam

Tenho pensado bastante sobre como as coisas perdem a graça, o brilho tão rápido. Não posso deixar de perceber que quando atingimos um objetivo, quando conseguimos algo, temos que seguir em frente e conseguir mais, evoluir, crescer, lucrar, absorver o máximo da fonte e obter outras fontes.

Nunca estamos satisfeitos com nossas conquistas, de forma que estamos sempre buscando algo e nos sentindo vazios, cada vez mais vazios e insatisfeitos. Nunca sabemos o que realmente queremos, porque quando conseguimos o que buscamos, a satisfação é instantânea. Eu só consigo ver uma explicação para isso: o prazer e a conquista viciam e encantam mais que o ópio.

Pessoas arriscam tudo nas mesas de jogos de azar, passam por cima de seus semelhantes e irmãos de sangue por pura ganância, roubam dentro de sua própria casa, viciam-se em drogas, esgotam seus parceiros, matam sem uma justificativa(se é que há justificativa para tirar uma vida), empregam suas vidas, perdem o sono e adoecem para acumular capital suficiente para acabar com a miséria do mundo e a maioria deles é incapaz de dividir.

Sem prolongar o texto, eu digo: o egoísmo e a busca pela satisfação pessoal deveriam dar lugar ao altruísmo, pois são a ganância e a incapacidade de realizar pequenos atos de caridade que corroem as nossas vidas e as tornam desprezíveis. Não dói tanto negar a sua vontade em função da vontade de outro, às vezes. Na verdade, acredito que ser altruísta traz satisfação verdadeira e te deixa um pouco mais próximo do que é divino.

domingo, 19 de setembro de 2010

A cilada

Se eu te dissesse tudo que deveria dizer,

Tenho certeza de que não sobraria nada,

Nem mesmo pensamentos para escrever.

Seria, da poesia e do poeta, a cilada.


Acho que eu não deveria, duas vezes, pensar,

Porque estou a esconder meus pensamentos,

Mas sempre tento, insistentemente, não forçar

Situações que devem vir em outros momentos.


Se eu tivesse a coragem da qual preciso,

Já teria gritado tudo isso em teu rosto

E feito deste poema um texto conciso,

Levando o arrependimento como encosto.


Se eu pudesse, com tua face, não me encantar,

Certamente já teria acabado de escrever

E saído para, qualquer outra mulher, encontrar,

Mas sei que, depois, viria a me arrepender.