Sua existência ainda se resume a um olhar no fundo de um espelho.
Sua dependência ainda te prende ao mesmo medo de antes.
Aquela parede caiu, outra maior foi construída.
Uma árvore que dá frutos amargos nasceu.
Sua queda te trouxe uma ferida da qual você nunca se esquece.
Toda vez que caminha pensativo, sente o gosto amargo e a dor.
Novas cores, novo cabelo, novos amigos.
Nunca outro.
Olhar fora de foco e impessoalidade.
Gestos e expressões mostram que é diferente.
Nem todo mundo aqui é tão fútil e vazio quanto você pensa.
Nem dois em cada cem sabem o peso do que você pensa.
Mas você voltou no primeiro trem da manhã e entrou.
Não importa o que aconteça, estará sempre aqui.
Sua existência é um olhar ao redor.
Sua dependência é o segredo do universo.
A parede bloqueia o sol pela manhã.
Você recita o mantra cantando sob uma árvore.
Tua cicatriz te lembra do que já deveria ter aprendido.
O gosto amargo está tatuado em sua língua.
Aquele antigo rosto expressivo, porém vazio.
Sempre o mesmo.
Silêncio proveniente de reservas.
Aversão à rotina.
O mundo continua sendo preto e branco.
Trazer tudo à vida parece fácil, porém desinteressante.
Você pensa demais antes de desejar.
Gostaria de acordar na próxima madrugada e ver que foi embora.
Mas não importa o que aconteça, estarás sempre aqui, és parte de mim.