Ele desperta do sono,
E a deidade turva presente em cada semelhante
Deixa de ser uma constante
Para ser eternamente mutante,
Como a alma do ignorante,
Que descobre em seu adiante
A possibilidade de algo marcante
Nascendo em seu semblante.
Corre na chuva, o jovem nu.
Aproveita a água que cai do paraíso.
Impreciso é o olhar na neblina.
Cego é o homem no breu.
Ele volta do portal
E encontra tudo igual,
Mas está envelhecido,
Seu coração, adormecido.
A queda d’água perdeu o curso,
Não alimenta mais o lago dos anciãos
A casa está fora do percurso
E não abriga mais irmãos.
Corre sob o Sol, o homem agasalhado.
Sonha com um oasis.
Inútil é o olhar do ignorante,
Mesmo que veja tudo.
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