domingo, 19 de setembro de 2010

A cilada

Se eu te dissesse tudo que deveria dizer,

Tenho certeza de que não sobraria nada,

Nem mesmo pensamentos para escrever.

Seria, da poesia e do poeta, a cilada.


Acho que eu não deveria, duas vezes, pensar,

Porque estou a esconder meus pensamentos,

Mas sempre tento, insistentemente, não forçar

Situações que devem vir em outros momentos.


Se eu tivesse a coragem da qual preciso,

Já teria gritado tudo isso em teu rosto

E feito deste poema um texto conciso,

Levando o arrependimento como encosto.


Se eu pudesse, com tua face, não me encantar,

Certamente já teria acabado de escrever

E saído para, qualquer outra mulher, encontrar,

Mas sei que, depois, viria a me arrepender.

domingo, 15 de agosto de 2010

Bro

Você parece não ter medo.

Às vezes, nem consegue entender,

Porque viu tão cedo

Coisas que demorei a aprender.


Não precisa tentar esconder,

Pois eu sei o que sente.

Acredite, não precisas dizer,

Seu olhar não mente.


Fico feliz por, aqui, estar.

Poderíamos ter partido

Sem, nem um abraço, dar,

Mas estás comigo.


Nunca caminhou sozinho,

Em meio a essa desordem.

Gostaria de ser o caminho

Que, irmãos, nem sempre podem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cidade

Ruas de asfalto, paredes de concreto,

Roupas pesadas e etiquetas valiosas,

Sapatos e tênis no chão quente,

Pseudo-românticos e falsos amores,

Laços desfeitos e mortos valores,

Pulmões pesados pelo ar poluído,

Gritos irados e motoristas loucos,

Outro mendigo, louco, andarilho,

Talvez uma prostituta num canto escuro,

Motéis baratos e sujos lotados,

Fumaça, cigarros, álcool,

Preconceito e abuso de autoridade,

Impunidade, perversão, delírio,

Libertinagem, pornografia, fuga,

Vício, tédio, obrigação, rotina,

Dogmas, templos, dízimos,

Psicopatas marginalizados e vítimas,

Leis, autoridades, oposição, caos,

Portas trancadas, percepção abalada,

Raciocínio óbvio, lógica previsível,

Conhecimento negado, crescimento controlado,

Fome, comida enlatada, comodidade,

Sedentarismo e ônibus lotados,

Sabedoria de botequim e temas clichês,

Liberdade de expressão, expressão sem vontade,

Mentes manipuladas e mensagens subliminares,

TV, jornais, revistas, rádios, Internet,

Teatros aos ratos e cinemas reles,

Tecnologia usada de forma vazia,

Almas frias, descrença crescente,

Pressões psicológicas, confusões ideológicas,

Morte da essência.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ela Sabe

Como é que aconteceu?

Nem deu tempo de piscar!

Num dia se perdeu,

Não sabe onde foi parar.

Só sabe que é bom, muito bom,

Impossível escapar.


Ela sabe o que ele pensa.

Ele não sabe como falar.

Ela sabe o que ele gosta

Sem precisar perguntar.


O medo nunca o impediu,

Não o consegue parar.

Vagou por aí na chuva

Sem queixa do frio ou do ventar.

Já nem lembra onde está,

Mas não quer mais voltar.


Ela sabe o que ele pensa.

Ele não sabe como falar.

Ela sabe o que ele gosta

Sem precisar perguntar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Existem

Existem mares onde os mapas são proibidos,

Existem lugares onde os pensadores são inibidos,

Existem reinos de onde os deuses são banidos,

Existem corações em que os amores são esquecidos.