Pensei em te escrever algo simples, compreensivel. Algo que não envolvesse signos provenientes do meu subconsciente, ou metáforas simbolistas e enteogenia. Algo que ajudasse-nos a pensar numa resposta, sem tornar necessária a busca de significados.
Pensei em falar sobre meus sonhos, meus medos, minhas alegrias, minha dor, minhas crenças, minhas dúvidas, minhas vontades, minhas obrigações e tudo o que eu pudesse tornar claro o suficiente pra fazer-te entender.
Pensei em escrever em prosa, numa folha adornada manualmente e à moda antiga, com bordas vintage e uma caligrafia bem trabalhada. Achei que funcionaria do mesmo modo se fossem versos escritos de modo espontâneo. Lembrei que imagens dizem mais que palavras.
Pensei em inícios, meios e fins, alternei as ordens, testei sinônimos e antônimos, linguagem formal, coloquial, mas não havia algo que pudesse traduzir essa mistura de ansiedades que nunca saiu de mim.
Desisti.
Agora, eu olho para o chão e só vejo o caos trazido por rascunhos de desenhos, textos e sentimentos espalhados por todo lado, mas não penso em organizar ou mudar de lugar, porque isso me faz conseguir enxergar o que nunca tinha visto. O caos no chão do meu quarto sou eu.
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