terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um Abrir de Olhos

Acordo, abro os olhos, não estou onde costumo estar,  tudo está embaçado e confuso. No primeiro piscar de olhos, o mundo gira lentamente, enquanto a primeira pontada da dor de cabeça vem. Penso em levantar, ou dormir novamente. Penso em sair do sofá, mas só desejo estar, ou melhor, não estar. É quando sinto um peso e, ao mesmo tempo, um vazio num espaço pequeno entre o peito e o estômago. Não é fome, não é dor, só vazio. Minhas lembranças têm muito a dizer, mas eu prefiro manter-las caladas por um espaço de tempo que ainda não sei definir. Parece que a dúvida percorre minhas veias, visto que todos os períodos se resumem em indecisão, mas é só a visão de um instante, descrita por alguém que não tem como definir nada em um só momento.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dualidade


Uma imagem distorcida no espelho.
Movimentos rápidos de sombras no escuro.
O som de um organismo em funcionamento,
A freqüência aguda do desdobrar.
Decidi olhar em teus olhos, meus olhos.
Fui fundo demais em sentimentos visíveis
E imagens audíveis que gritavam.
Ouvi o som de uma cidade agitada.
Vi carros velozes e pessoas apressadas.
Conheci o assassino e o policial,
O anjo e o demônio,
O frio e o calor,
O medo e a coragem,
Assim como toda dualidade.
Pisei na areia movediça,
Mas me agarrei ao fio de prata que pendia do mundo,
Deixando pra trás parte do que me prendia ao fundo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Realinhar


Amor me confunde, me atormenta.
Sentir me atormenta, me transtorna.
Descargas energia associadas a um giro,
Liberação de desejo unindo-se ao cansaço.
Às vezes, isso se torna apreensão,
Às vezes, agressividade infundada.
Ódio protetor. Sem amor, sem dor.
Ele se transforma em silêncio,
Um silêncio que pode ser ouvido.
Ele se torna violência, uma agulhada no fundo da alma,
Uma voz profunda que questiona - E agora?
E, se eu surtar e fugir, ainda poderei respirar?
E, se respirar, ainda continuo sendo?
Poderia voltar ao vazio interno,
Assentimentalismo eterno.
Não mais poesias, só mentiras.
Fugi do meu lugar, preciso me realinhar,
Mas a possibilidade foge entre meus dedos.
Falta vontade, sinto falta de não sentir falta.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Produto do Modelo

Um preço, um produto sem lucros.
Eu não posso comprar nem a mim com minhas palavras.
A mentalidade, as ideias e as vontades giram em torno do valor,
Enquanto o tutano divino esvanece em cada um.
Deus, a Natureza, O Todo, se torna mais fraco.
Todos somos um, todos somos assassinos em potencial.
Matamos O Espírito, selamos os portões do Éden.
Nossas almas foram vendidas antes de nascermos.
E, no final, descobriremos que o paraíso nunca foi acessível
À quem já nasceu marcado pela morte.
Teu sangue é marcado, meu sangue é carregado,
Só podemos cruzar os dedos e nascer de novo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Duas Partes

Uma parcela vira vapor, éter, e sobe
Para a mente, a alma, no espírito entranha,
Mistura-se à essência, antes cega, vazia,
E faz ver a verdade com outros olhos, olhos reais.
Outra parte mistura-se ao líquido vermelho
E energético que circula em nossas veias,
Pressionada a varrer toda a nossa extensão,
Criando reações desconhecidas e conhecidas,
Possibilitando um novo olhar interno, profundo,
Liberando novos fluidos, antes ausentes.

A união entre as duas partes traz o êxtase,
Como um orgasmo espiritual induzido
Pelo mais puro dos pecados humanos.
O que traz a autodestruição física
Gera a reconstrução espiritual necessária
Para a ampliação da visão, da mente, do mundo,
Tornando possível alegrar-se por poder
Entristecer-se ao ver o vazio que lhe cerca
De tanta solidão, futilidade, avareza e hipocrisia
Ao queimar-lhe a garganta.

domingo, 7 de novembro de 2010

Dois Sois

Enquanto observava o por do sol, notou que outra estrela, tão grande, brilhante e quente quanto, se punha no lugar. Adorou a sensação de viver noites claras, iluminadas, mornas. Sentiu a essência do fogo em sua alma, essência que lhe pertencia. Caminhando através de seu jardim, descarregou sua raiva em um olhar contra as flores que pareciam velhas, ateou-lhes fogo. O fogo consumiu o local por completo e causou-lhe sofrimento e fascínio. Após meses, outras flores nasceram, porém, estas eram secas e repletas de espinhos. Morriam rápido. Os dois sois nunca permitiriam a vida ali, novamente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Você não tá sendo ajudado, tá sendo discriminado.

Faz um tempo que não posto nada e, apesar de tentar fechar os olhos e tapar os ouvidos pra assuntos sobre os quais nada posso fazer, tem sido inevitável que eu consiga ficar aparte de algumas discussões que me deixam um pouco “irado”.

Maldita hora em que tweetei, ontem, sobre o ProUni! Foi apenas uma brincadeira com a realidade, mas me proporcionou algumas conversas sobre esse tema polêmico e, claro, no final, todos saem sem mudar de opinião, porque depende da sua própria visão de mundo.

Então, até que foi engrandecedor pra mim, visto que procuro estar meio longe desse tipo de tema sem solução e que, mesmo assim, me gerou conversas produtivas (é legal argumentar, às vezes, mesmo que só por argumentar). Mas o que me surpreende é que algumas pessoas pensam que o ProUni é um programa étnico-racial! Alguém me disse, por lá, que os brancos é que se beneficiam do sistema, que é direcionado aos negros! Claro que essa pessoa esqueceu que cidadãos de outras etnias também são beneficiados.

Cara, ProUni é pra TODOS, principalmente os que não podem pagar um curso numa universidade particular! Nada indica que um afro-brasileiro não possa pagar uma faculdade. Isso é um absurdo, porque o cara pode ser RICO e, mesmo assim, por ser negro, vai conseguir se incluir no sistema de cotas e ter privilégios além dos “brancos”. Isso não é discriminação? Por que um negro abastado tem mais precisa de mais ajuda do que um branco desprovido de renda? O cérebro deles é inferior e não permite que, mesmo tendo um ensino de qualidade, obtenham uma nota digna de obter sua bolsa de estudos?

Respectivamente: Sim, não precisa, não.

Fica aí a MINHA opinião, a minha revolta e a minha pena de quem aceitar ser discriminado só pra ter facilidades e passar a frente dos outros sem uma justificativa plausível. Infelizmente, essa fração tende a 1.

Espero não soar racista, pois nenhum termo utilizado aqui tem sentido pejourativo. O que quero deixar claro é que somos todos semelhantes.