segunda-feira, 26 de setembro de 2011

13 + 13 = Eu te amo.

Se eu reagir de forma negativa ou neutra, saiba que eu apenas não consegui ignorar a mágoa, ou passar por cima do orgulho, portanto não estou agindo da forma que gostaria, mas da forma que meu medo me obriga a agir. Se for assim, eu provavelmente mentirei, ou fingirei não me importar, e simularei sentimentos negativos que não existem. Na verdade, nada disso sou eu. Nada disso é natural. Nada disso é real.
O que é real, obviamente, se escondeu e está esperando você procurar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mudanças


Eu continuo acreditando em coisas que acreditava há quatro anos atrás. Acho que, em algumas, acredito ainda mais fortemente. Eu sou daqueles que acredita no amor e acha que isso é a única coisa necessária na vida.
Dá pra viver sem? Dá. Mas pra que? Pra trabalhar até ficar rico e comprar um mundo aparte e deixar de herança pra alguém que viveu com você esperando por isso?
É por isso que eu não deixaria o que eu tenho pra morar num outro estado, muito menos em outro país. Não importa se eu teria o melhor emprego, a melhor casa, novos amigos. O que eu valorizo estaria aqui, ainda, e eu não consigo ficar muito tempo longe. Não gosto de outras camas, quartos, guitarras, familiares, amigos, nem amores.
Não gosto de mudanças. Espero que as coisas parem de mudar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

-

"Horas inteiras perdidas em claro, anos inteiros passados em casa esperando o mundo desabar, de novo. Então, esqueça esse barulho e vá dormir sozinha."

sábado, 30 de julho de 2011

Bíblia


Eu definitivamente abri mão do motivo da minha existência, acho que foi numa quarta-feira, na última quarta-feira. Eu sabia o que estava fazendo, mas não sabia por que estava fazendo. Eu poderia evitar, eu poderia ter sorrido e dito que estava tudo bem, eu poderia ter deixado tudo ali, como estava. Não poderia, não seria eu. Por mais que não tenha mais um sonho, tenho o peso de uma existência pra carregar e, se vou existir, todos os meus aspectos existirão comigo. Minha alma estará presa ao mundo físico até que seja a hora de não mais existir, até que toda memória sobre mim se apague e qualquer registro meu se desintegre.
Eu transformei um texto de cento e vinte e sete palavras em uma bíblia, agora a carrego debaixo do braço esquerdo, como um bom cristão que segue com fé em direção ao seu templo sagrado. Há algumas diferenças: Eu não tenho um templo, eu não tenho um deus, eu não tenho fé, o pregador morreu, ninguém voltará para me salvar.
Não importa, se algo me lembra que estou vivo, isso está contido neste pequeno texto e não há nada que eu consiga entender melhor.


“- Por que você não pode ficar sozinho, sem a Yoko?

Eu posso, mas não quero. Não existe razão no mundo porque eu devesse ficar sem ela. Não existe nada mais importante do que o nosso relacionamento, nada. E nós curtimos estar juntos o tempo todo. Nós dois poderíamos sobreviver separados, mas pra quê? Eu não vou sacrificar o amor, o verdadeiro amor, por nenhuma piranha, nenhum amigo e nenhum negócio, porque no fim você acaba ficando sozinho à noite. Nenhum de nós quer isto, e não adianta encher a cama de transa, isso não funciona. Eu não quero ser um libertino. É como eu digo na música, eu já passei por tudo isso, e nada funciona melhor do que ter alguém que você ame te abraçando.”

Amém.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Deidade Turva


Ele desperta do sono,
E a deidade turva presente em cada semelhante
Deixa de ser uma constante
Para ser eternamente mutante,
Como a alma do ignorante,
Que descobre em seu adiante
A possibilidade de algo marcante
Nascendo em seu semblante.

Corre na chuva, o jovem nu.
Aproveita a água que cai do paraíso.
Impreciso é o olhar na neblina.
Cego é o homem no breu.

Ele volta do portal
E encontra tudo igual,
Mas está envelhecido,
Seu coração, adormecido.
A queda d’água perdeu o curso,
Não alimenta mais o lago dos anciãos
A casa está fora do percurso
E não abriga mais irmãos.

Corre sob o Sol, o homem agasalhado.
Sonha com um oasis.
Inútil é o olhar do ignorante,
Mesmo que veja tudo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Filho


Poderia dizer que vejo evolução, que rumei em direção ao que é certo e tento criar um futuro brilhante através de um presente apagado. Tenho feito o que se espera de um homem do meu tempo. As falhas do meu caráter transparecem cada dia mais e minhas fraquezas ficam expostas, porém comecei a trilhar um caminho que muitos nunca terão chance de iniciar e tantos outros teriam orgulho. Eu poderia me gabar por ser o que sou, mas o que me trouxe até aqui não é nada, se não sorte de berço.
A verdade é que volto dois anos no tempo e vejo o quanto regredi como pessoa, como ser humano. Sempre achei que perderia minha essência humana, mas não a tal ponto. Agora, sinceramente, não sei o que sou, se não alguém extremamente desalinhado com a Mãe e distante da busca da disciplina, da doutrina, da verdade, do conhecimento.
Sendo destrutivo, automaticamente me torno autodestrutivo e, esquecendo-me de conhecer a mim mesmo, passo a ser mais ignorante. Tenho morrido todos os dias em busca de caminhos fáceis e atalhos, pois o que encontro são pedras, montanhas, desespero, destruição, confusão e o mais forte tédio. Eu gostaria de poder manter todos  com quem me importo longe, mas não me restaria nem a pouca motivação que tenho pra continuar. Devo me permitir destruir ou me destruir?
O garoto nascido no dia do fogo e adotado pelas mais altas castas angelicais cansou de fugir do seu demônio interior. Melhor sair de perto, pois ele pôs o bracelete no braço esquerdo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Existência

Sua existência ainda se resume a um olhar no fundo de um espelho.
Sua dependência ainda te prende ao mesmo medo de antes.
Aquela parede caiu, outra maior foi construída.
Uma árvore que dá frutos amargos nasceu.
Sua queda te trouxe uma ferida da qual você nunca se esquece.
Toda vez que caminha pensativo, sente o gosto amargo e a dor.
Novas cores, novo cabelo, novos amigos.
Nunca outro.
Olhar fora de foco e impessoalidade.
Gestos e expressões mostram que é diferente.
Nem todo mundo aqui é tão fútil e vazio quanto você pensa.
Nem dois em cada cem sabem o peso do que você pensa.
Mas você voltou no primeiro trem da manhã e entrou.
Não importa o que aconteça, estará sempre aqui.
Sua existência é um olhar ao redor.
Sua dependência é o segredo do universo.
A parede bloqueia o sol pela manhã.
Você recita o mantra cantando sob uma árvore.
Tua cicatriz te lembra do que já deveria ter aprendido.
O gosto amargo está tatuado em sua língua.
Aquele antigo rosto expressivo, porém vazio.
Sempre o mesmo.
Silêncio proveniente de reservas.
Aversão à rotina.
O mundo continua sendo preto e branco.
Trazer tudo à vida parece fácil, porém desinteressante.
Você pensa demais antes de desejar.
Gostaria de acordar na próxima madrugada e ver que foi embora.
Mas não importa o que aconteça, estarás sempre aqui, és parte de mim.