sexta-feira, 22 de junho de 2012

Da Sobriedade

Perder a cabeça, em algum momento, é bom.
Se perder por coisas que não são boas pra ninguém,
Perder tempo, dinheiro, a sanidade, a sobriedade...
Sempre há algo a perder. Perder tem que ser bom.
Deve haver um bom motivo pra quem só consegue perder.

Qualquer um poderia terminar a faculdade, conseguir um emprego e trabalhar com o maior empenho que é capaz. É perder.
Qualquer um poderia resolver, agora, todos os seus conflitos pacificamente. E estaria perdendo MUITO.
Então, não merece julgamento, a perda da sobriedade ao lidar com casos, acasos, mal olhados, conflitos, confianças, amizades e amores.
A sobriedade é fraca e pura demais pra isso.
O impulso, a decisão, esses sempre serão criticados, não importa quais sejam.

Eu gostaria que vissem a minha sobriedade, mesmo sem que eu esteja sobrio. Porque eu não consigo pensar enquanto vejo e ouço coisas demais.

domingo, 17 de junho de 2012

Perfeccionismo?

Eu não acho que eu seja perfeccionista demais, sou apenas o suficiente pra achar que minhas ideias e criações em geral são ruins demais pra serem expostas.
É isso. Tenho trabalhado freneticamente em algumas coisas que não ficam perfeitas, simplesmente não ficam. -Não é óbvio que, se eu deixar passar dois dias, eu vou querer mudar a porra toda?
É.
-Então?
Então eu tenho uma margem. Escolhi algo muito superior pra comparar e, quando eu achar que eu tenho uma coisa muito superior àquela, em mãos, eu divulgo.
-Mas ficar perfeito? Nada fica perfeito.
Foda-se. A única coisa que recebe lixo de mim é esse blog, o resto não recebe nada, porque nada é perfeito.
Acho que, se não dá pra fazer melhor do que todo mundo já fez, não vale a pena o esforço.

E aqui vai mais um desses que eu não tenho onde jogar, mas preciso expor, mesmo que pra poucas almas.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Do inicio

Fitava-o nos olhos.
De alguma forma, continuava perdido nos meus próprios.
Não entendo como, mas minha vida se inicia apartir dalí,
após as sete memórias desconexas.
O caminho pela praia, através das águas que não se tocam.
A tempestade.
Os três círculos no ceu.
A assinatura.
A fuga e os posteriores desesperos e quedas.
A escuridão.
E a última, da qual pretendo não mais lembrar.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Do que é vergonhoso

Venha e adentre tudo o que é estranho
Olhando nos olhos, tudo o que é vergonhoso
Jogue sujo e deixe o passado numa caixa
Ele vai se conter?
Ele vai entender?

Conter-se ou silenciar
Punhos fracos sempre vão em frente
O próximo e o distante
Não mais anulam um olhar vazio
Há algo?

Há muito, demais
E o fim não chega, ele nunca chegará
É como passear descalço no inferno
Mas não parece muito
É muito?

Mudar ou silenciar
Aceitando o que é teu por direito
Mesmo que o direito seja a punição
Lutar está fora de cogitação
Está mesmo?

Vergonha é mudar tanto pra ser o mesmo.

domingo, 15 de abril de 2012

Sobre Não Ter Escrito

Eu queria escrever, queria mesmo. Ainda quero.
Mas não escrevi, passei um tempão pensando se valia a pena.
Pra que escrever o que ninguém mais poderia ler?
Esse texto não teria a força do grito que eu tenho dentro de mim.

Meu texto não chegaria ao ceu, nem apareceria num bolso lateral qualquer, ou numa mesa de cabeceira.
Esse grito abafado não alcançaria os ouvidos distantes que precisa alcançar pra me libertar.
Seria só mais uma folha cheia dos meus sentimentos, cheia de nuances que eu tendo a disfarçar.

Nada vai mudar quando eu escrever, absolutamente nada.
Eu prefiro escrever sobre o que não escrevi.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Todos sempre vão

Eu lí e sorri, porque me ví alí.
Mas estava preocupado, investigando o passado.
Passei por cada nó dessa rede, até chegar à uma ponta: a ponta em que cheguei. Depois pensei em como seria cada ponta à qual nunca fui e nem irei.
Então tentei lembrar de cada um que mudou algo. Ví que quase todos passaram.
Alguns se foram sem dar explicações. Tentei não sentir remorso destes.
Percebí que todos se foram e muitos vieram.
Mas todos se foram.
Todos sempre vão.